Tipos de câncer

Câncer de Pulmão

Definição

O câncer primário de pulmão é o câncer que acomete a traqueia, os brônquios ou o tecido pulmonar (alvéolos). As células anormais são provenientes de traqueia, brônquios e alvéolos, e não células provenientes de outros órgãos (no caso de as células malignas migrarem de outros órgãos para o pulmão, o câncer de pulmão é secundário ou metastático). Existem dois principais tipos de câncer de pulmão primário: o de pequenas células e o de não pequenas células. Existem diferentes tipos de câncer não pequenas células. Cada tipo difere em relação ao crescimento e comportamento biológico. Os tumores mais frequentes não pequenas células são o carcinoma epidermoide, o carcinoma de células grandes e o adenocarcinoma. Existem dois tipos principais de câncer de pulmão de pequenas células. São eles o tipo pequenas células (oat cell em inglês) e o tipo combinado. Em geral, nos países desenvolvidos, cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão são não pequenas células e 15% de pequenas células.

Epidemiologia

Ele configura a segunda causa de morte por câncer, em homens e mulheres, no Brasil. Em 2018, foram registrados cerca de 31.270 novos casos da doença, sendo a maior parte em homens, embora a incidência venha aumentando entre as mulheres. Sua taxa de sobrevida em cinco anos é baixa, girando em torno de 18%, já que a maioria dos casos é diagnosticada em estágio avançado. 85% das ocorrências estão associadas ao tabagismo.

Fatores de risco

O tabagismo está envolvido em 80% a 90% dos casos de câncer de pulmão. O risco estimado é maior entre tabagistas em relação àqueles que não fumam. Quanto maior a quantidade de cigarros fumados por dia e a quantidade de anos fumando, maior o risco. O risco entre fumantes é 20 vezes maior em relação aos não fumantes. Estima-se que 25% dos casos de câncer de pulmão entre não fumantes estejam relacionados ao tabagismo passivo.

Outros fatores de risco são a exposição ambiental ou ocupacional ao gás radônio (proveniente do solo ou de minas de urânio), a exposição ocupacional ao asbesto e à sílica, a poluição do ar, a história familiar de câncer de pulmão e a radioterapia para outros cânceres.

Sinais e sintomas

Os sintomas mais frequentes são tosse persistente e hemoptise (escarro com sangue). Além desses, dor persistente no peito ou no ombro, perda de peso ou apetite, fadiga, pneumonia de repetição e falta de ar podem estar presentes.

Eventualmente, o câncer de pulmão pode ser descoberto incidentalmente a partir de exames de imagem solicitados em pacientes assintomáticos ou como parte de investigação para outras doenças.

Diagnóstico

Após a coleta de informações clínicas em indivíduos com sinais e sintomas suspeitos, em geral solicitam-se alguns exames complementares, como os de imagem (raios-x e tomografia computadorizada) e broncoscopia (visualização direta de traqueia e brônquios). Um fragmento do tumor é retirado para exame (biópsia). Para se estabelecer o diagnóstico de câncer de pulmão, é necessária a confirmação pelo patologista. Ele vai examinar o material coletado do paciente ao microscópio à procura de células malignas compatíveis com o diagnóstico. O material poderá ser o escarro (quando possível), lavado, aspirado, ou a biópsia do pulmão, coletados através de endoscopia pulmonar (broncoscopia), punção pulmonar direta com agulha fina e cirurgia.

Classificação

Além de dar o diagnóstico de câncer de pulmão, o patologista fornece outra informação valiosa para o médico assistente: o tipo de câncer de pulmão. Essa diferenciação é essencial, pois o tratamento é diferente para os dois principais tipos de câncer de pulmão (pequenas células e não pequenas células). Alguns cânceres de pulmão possuem mutações específicas em seus genes que podem ser identificadas por testes genéticos. Essas informações podem ajudar na escolha do melhor tratamento.

Estadiamento

Após o diagnóstico e a classificação do câncer de pulmão, o médico assistente avalia o estadiamento da doença, ou seja, verifica a sua extensão. Para isso, geralmente são solicitados exames complementares, como exames laboratoriais e exames de imagem direcionados ao tórax, abdômen e, eventualmente, ao crânio e aos ossos. O objetivo é determinar a extensão da doença e, assim, selecionar o tratamento ideal para cada paciente.

Para o câncer de pulmão não pequenas células, o sistema de estadiamento utilizado é o TNM (tumor, linfonodo e metástase). Os tumores são classificados entre estágios de I e IV e graus histológicos de 1 a 4. Quanto maior o estadiamento e grau histológico, pior o prognóstico.

O câncer de pulmão de pequenas células tem um sistema de estadiamento mais simples. Ele é classificado como “doença limitada”, que possui melhor prognóstico, ou “doença extensa”.

Tratamento

Os pilares do tratamento são a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia. A integração entre o cirurgião torácico, o oncologista e o radioterapeuta é fundamental, com a finalidade de determinar a melhor opção terapêutica e evitar procedimentos desnecessários. A terapia-alvo molecular é uma nova estratégia que representa um avanço importante no tratamento dos pacientes com esse tipo de câncer. Medicamentos, oferecidos por via intravenosa ou em formato de comprimidos, são utilizados como complemento à quimioterapia, os quais, em algumas ocasiões, podem substituir a quimioterapia tradicional.

Prognóstico

O prognóstico dependerá da extensão da doença ao diagnóstico e da presença de comorbidades, ou seja, doenças associadas.

O crescente aprimoramento das técnicas cirúrgicas e o advento do tratamento com quimioterapia são medidas que aumentam a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes. O conhecimento da biologia molecular dos tumores também trouxe ganho, uma vez que hoje dispomos de terapias-alvo, com drogas inteligentes, direcionadas contra o tumor, que poupam os pacientes dos efeitos adversos da quimioterapia. Além disso, a radioterapia ganhou destaque no tratamento desses pacientes, sendo uma possibilidade de controle da doença em situações em que a cirurgia pouco pode ajudar.

A sobrevida em cinco anos para os tumores não pequenas células varia conforme o estadiamento da doença, o tipo e grau histológico. Quanto menor o estadiamento, melhores o prognóstico e a sobrevida. O prognóstico dos tumores de pequenas células é pior em comparação com os cânceres não pequenas células.

Prevenção e Detecção Precoce

O câncer de pulmão representa a neoplasia com maior potencial de prevenção, haja vista sua relação intrínseca com o tabagismo. As campanhas voltadas a reduzir a incidência de fumantes, principalmente entre mulheres e jovens, são prioritárias e merecem forte apoio da população.

Apenas um grande estudo randomizado (seleção aleatória dos grupos) em fumantes “pesados” entre 55 e 74 anos nos EUA, utilizando tomografia computadorizada de baixa dose como exame de rastreamento, mostrou redução na mortalidade por câncer (16%) e mortalidade geral (7%). Nesse estudo, o percentual de exames falso-positivos (exame anormal, porém sem confirmação de câncer) foi muito grande.

Fontes

1. Cancer Research UK home page (http://www.cancerresearchuk.org)
2. National Cancer Institute (NCI) home page (http://www.cancer.gov/)
3. Portal do Instituto Nacional de Câncer (INCA) (http://www2.inca.gov.br)
4. World Cancer Report 2014. Edited by Bernard W. Stewart and Christopher P. Wild. IARC, Lyon, 2014.