Tipos de câncer

Câncer de Colo de Útero

Definição

A cérvice (ou colo do útero) é parte do sistema reprodutivo feminino. Anatomicamente está localizada na pelve (região cercada pelos ossos da bacia) e constitui a parte final do útero. O colo do útero conecta o útero com a vagina e, durante a menstruação, serve de passagem para o fluxo de sangue do corpo do útero para a vagina. Ele produz muco, uma secreção que favorece a mobilidade dos espermatozoides da vagina para o interior do útero. Durante a gravidez o colo do útero permanece “fechado” até o momento do parto, quando sofre uma dilatação e permite a passagem do bebê.

Epidemiologia

Trata-se do terceiro tipo de câncer mais comum na população feminina, sem contar o tumor de pele não-melanoma, e é a quarta causa de morte entre elas pela doença, no País. O Instituto Nacional do Câncer registra, em média, 16 mil novos casos por ano.

Fatores de risco

O principal fator de risco é a presença de infecção crônica pelo vírus HPV. A maioria das mulheres com infecção pelo HPV acaba eliminando o vírus. Entretanto, uma pequena parte permanece com infecção crônica. Essas mulheres têm um risco maior de desenvolver um câncer do colo do útero. O consumo regular de cigarro e histórico pregresso de doenças sexualmente transmissíveis também aumentam o risco.

Sinais e sintomas

Habitualmente, a doença não apresenta sintomas iniciais. Nos estágios avançados, a mulher pode ter sangramento pela vagina, durante o ato sexual ou após o exame ginecológico. Sangramento após a menopausa e sangramento excessivo durante a menstruação também podem ocorrer, além de secreção pela vagina e dor na pelve.

Diagnóstico

O seu médico irá conduzir uma investigação diagnóstica para saber se seus sintomas podem ser, ou não, um câncer do colo do útero. Os exames habitualmente realizados são o ginecológico (observando o colo do útero), o exame das células do colo (exame preventivo ginecológico) e a biópsia do colo do útero.

Classificação

O exame histopatológico da biópsia permite classificar o tipo de câncer. A maioria dos cânceres do colo do útero é chamada de carcinoma epidermoide.

Estadiamento

Após o diagnóstico e a classificação histológica, é feito o estadiamento da doença, ou seja a verificação da extensão da enfermidade. Para isso, geralmente são pedidos exames complementares, especialmente exames de imagem como RX tórax e TC e RNM de abdômen e pelve. O objetivo avaliar é a extensão da doença e determinar o tipo ideal de tratamento para cada paciente.

O estadiamento utiliza os algarismos romanos de I a IV, sendo que os menores algarismos correspondem a cânceres localizados, e os maiores algarismos aos cânceres avançados.

Tratamento

Habitualmente o tratamento envolve uma equipe multiprofissional que inclui cirurgiões, oncologistas, radioterapeutas, entre outros profissionais médicos e não médicos. O tratamento padrão habitual para esses tipos de tumores envolve diferentes opções, de acordo com a extensão da doença. Não é infrequente a utilização de mais de uma modalidade cujas opções incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Prognóstico

O prognóstico dependerá da extensão da doença no momento do diagnóstico, das características biológicas do tumor e das condições de saúde do paciente. Ele costuma ser muito bom para os tumores localizados e menor para a doença avançada ou metastática. A maioria das mulheres apresenta doença localizada em função da realização regular do exame preventivo em nossa população.

Prevenção e detecção precoce

A prevenção primária do câncer do colo do útero se dá pela diminuição dos fatores de risco. Dentre os fatores de risco que podem ser alterados temos a infecção pelo vírus HPV. A abstinência sexual ou a utilização de métodos de barreira (uso da camisinha) diminuem o risco de exposição ao vírus. A realização periódica do exame preventivo ginecológico e o tratamento das lesões precursoras diminuem a incidência e a mortalidade pela doença.

A vacina contra os vírus HPV 16 e 18 reduz a incidência de infecções persistentes e a chance de desenvolver um câncer do colo do útero em mais de 90% das mulheres vacinadas. A efetividade da vacina após 6-8 anos ainda não está bem estabelecida.

Fontes

1. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Estimativas 2012: incidência de câncer no Brasil. Coordenação Geral de Ações Estratégicas, Coordenação de Prevenção e Vigilância. – Rio de Janeiro: Inca, 2011.
2. United States Department of Health and Human Services. National Institute of Health. What you need to know about: cervical cancer. National Cancer Institute, revised 2012.
3. National Cancer Institute (NCI) home page (http://cancer.gov/)